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A vida segue
quarta-feira, 16 de julho de 2008


Minha vida parece a de uma maratonista, sinto o tempo correr pelos meus dedos sem conseguir detê-lo. Os minutos dos relógios voam e os dias passam como se fossem uma faísca.
Tantos compromissos, tantos telefones tocando, as crianças me exigindo atenção, obras na minha churrasqueira e eu mesma me culpando por ainda não ter resolvido isto ou aquilo. Muitas vezes chego a pensar como dou conta de tudo isso, olho na agenda e me parece sobre humano tantas coisas resolvidas.
Vida de mãe não é fácil.
Vida de profissional não é mole.
Vida de mãe-profissional é quase um heroísmo.
Desde que a minha empregada operou a minha vida virou de pernas pro ar. Em março ela se submeteu a uma cirurgia e ficou 30 dias afastada. Prestes a retornar, seu pai ficou muito doente e os irmãos o largaram para ela cuidar. A pouca pensão que ele ganhava servia para pagar uma senhora para cuidar dele até ás 15:00 hrs. Resultado: ela voltou a trabalhar, mas tinha que ir embora ás 15:00 hrs cuidar do pai. Infelizmente a doença que ele tinha, o impossibilitava de deixá-lo sozinho. Numa única vez que ela deu uma escapulida de meia hora, o velho estava caído no chão chorando, todo machucado.
Então eu tinha que resolver tudo e mais um pouco até ás 17:30 hrs, hora em que minhas filhas saíam da escola. Era trabalhar, fazer mercado, depósitos, manicure, depilação, comprar coisas, o carro para lavar, ir no pediatra, farmácia e etc., sem contar que perco 1 hora e 10 minutos do meu dia no trânsito, só para ir e voltar do trabalho.
Com muita luta e algumas brigas, eu e meu marido íamos levando nossa vidinha. Até que há 8 dias, minha empregada perdeu o pai de uma forma bem triste. Sabíamos, eu e ela que esse dia chegaria, mas foi tão inesperado, tão de repente...um dia ele tava bom, noutro morto. Quando recebi a notícia de sua morte, chorei bastante. Chorei de pena, de alívio, de susto, de cansaço. Ela trabalha comigo há 5 anos e me ajuda a criar as minhas duas meninas, me quebra vários galhos. Como não ter empatia?
Segunda ela voltou a trabalhar e meu irmão saiu de férias. Estou aqui, mais uma vez correndo para fazer o meu trabalho e o dele. Mal pude recuperar o fôlego. Ando bem cansada e contando os dias para a chegada da minha semana de férias. Vou para Florianópolis, no Costão do Santinho. Espero lá então ter o meu merecido sossego e voltar com as energias renovadas.